Quinta-feira, 21 de Setembro de 2006

O fim das aldeias

Não me competirá dizer se a solução escolhida é a melhor, ou mesmo só se há outras soluções possíveis. Não o será com certeza uma escola com um ou dois alunos. O que não quer dizer que não veja graves inconvenientes em tirar, todos os dias úteis e todo o dia, crianças de tenra idade aos seus pais para os entregar lá longe às escolas que restam, pelo menos tal qual são. Pergunto-me os mesmos responsáveis que tanto flagelam as Instituições porque as crianças são educadas longe dos seus pais, existam eles ou sejam eles como forem, aqui condescendem? Mas são problemas que a outros dizem respeito, não é a isso que hoje venho.

Hoje referir-me-ei apenas à influência que tais medidas terão no tecido demográfico português, com mais incidência no Norte e Centro, as zonas das pequenas aldeias. Estas, pelo menos as do interior, já morreram ou estão em transe disso. Aldeias só com meia dúzia de velhos serão ainda aldeias? Não justificam pelo menos o triângulo que dantes as guiava e lhes dava ser o médico, o padre e o professor. Os dois primeiros escasseiam, os médicos porque mal distribuídos, os padres porque escasseiam mesmo. Professores, se não há escolas, como há-de haver professores?

Os jovens e as crianças também lá não poderão viver, por causa dos estudos poderíamos globalizar agora. Porque às famílias que têm dois ou três filhos a estudar, começa a tornar-se impossível mantê-los fora de casa em estudos mais adiantados que contudo hoje são necessários e obrigatórios. Por força que serão obrigadas a deixar a aldeia dos seus avós e a procurar qualquer coisa onde possam viver, na vila, na cidade ou, pior, no subúrbio, mas onde haja escola. Outras coisas faltarão, na política economicista que somos forçados a adoptar, mas que tenham o essencial, que possam educar os filhos à sua vista, pois já será o suficiente para a maioria das famílias portuguesas. Tudo está certo, não se quer ir contra a liberdade de ninguém, cada qual avaliará o sacrifício que se lhe pede, só compensado pelos diplomas que eventualmente um dia os seus filhos virão a obter. Com a única condição de estes ainda valerem então alguma coisa. Mas, disse-o e é verdade, não é a nada disto que venho. Venho apenas idealizar o que passará a ser a nossa paisagem. Aldeias alvejando no alto dos montes passarão a ser coisas do passado. Quem cultivará as courelas? Mais mato e mais estevas, ou então árvores que mais ano menos ano arderão? Só tomarei como exemplo uma paisagem que sobremaneira me encanta o Douro. Vinhas é natural que lá continue a haver, embora diferentes, maiores, de capitais estrangeiros quase todas. Mas sem as casas brancas que hoje povoam o colorido das parras, o Douro ainda será o Douro, tão lindo como é? Terei muita pena se o não for.

Engº. Almeida e Sousa

publicado por sá morais às 12:22
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2 comentários:
De rui martins a 21 de Setembro de 2006 às 13:57
O actual fenómeno do "ermamento" do nosso interior é gravíssimo. Portugal escorre para o Litoral e deixa vazio o nosso interior. A prazo isso poderá até ameaçar a nossa soberania sobre extensas e potencialmente ricas regiões de Portugal.

esta é uma razão pela qual defendo um "municipalismo federalista" como modelo alternativo ao Regionalismo ou ao presente centralismo de Lisboa: a resolução do problema do Êxodo Rural: raíz dos elevados níveis de dependência de importações agrícolas, das vagas de incêndios florestais, do empobrecimento da nossa economia, etc, etc.


De Elise a 21 de Setembro de 2006 às 14:44
A solução passa por descentralizar o poder, mas sem regionalismos já que apenas iriam criar mais tachos para os boys.


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