Terça-feira, 7 de Outubro de 2008

Este Portugal não é o meu...

De que vale tirar um curso quando se acaba a limpar o chão e as casas de banho? Esta é a pergunta que Arminda faz todos os dias quando vai para a escola. Licenciada em Português/História, continua sem ter colocação como professora e ganha a vida como tarefeira de limpeza.

 

Talvez por acreditar que, estando naquela ambiente escolar, talvez um dia volte a contactar com os alunos à frente de um quadro, em plena sala de aula, optou por ficar na escola, contrariando a tendência de muitos dos seus colegas, que «leccionam» numa caixa de supermercado,

O cancro que «desaparece» na sala de aula
Quem trata da educação especial?

Após ter concluído a licenciatura, em 1998, na Universidade Católica de Viseu, e depois de ter cumprido o estágio profissional nas duas disciplinas na EB 2/3 Dr. Azeredo Perdigão, em Abraveses (Viseu), conseguiu colocação. «Foi em 98/99, na EB 2/3 de S. Pedro do Sul, mas como foi uma substituição não tive direito a subsídio de desemprego», contou ao PortugalDiário.

Continuou a concorrer e ficou a pertencer ao grupo de português, mas como não conseguiu colocação, foi exercendo outras actividades. Chegou a ser animadora infantil num infantário privado em Oliveira de Frades, mas em 2000 decidiu mudar-se para a zona de Aveiro, tentando sempre a sua sorte nos concursos a nível nacional.

Por necessidade de subsistência, inscreveu-se no Centro de Emprego, tendo posteriormente conseguido colocação durante um ano lectivo como técnica animadora de ATL na Gafanha de Aquém, em Ílhavo. Mas, a instabilidade era enorme. Chegou a ser auxiliar de educação numa IPSS, até que em 2004 passou a exercer funções de tarefeira no Jardim de Infância de Esgueira (Aveiro). Durante quatro horas por dia, ao longo de quatro anos, auxiliou meninos com espectro de autismo.

A limpar casas de banho

O grau de degradação da profissão foi aumentando, apesar de nunca ter desistido de concorrer para o cargo de professora de português. Este ano lectivo, e após uma directriz da Direcção Regional de Educação do Centro (DREC), passou a exercer funções como tarefeira de limpeza Agrupamento de Escolas de Esgueira.

«São quatro horas por dia para limpar a escola», referiu. A indicação da DREC foi concreta: «O trabalho das tarefeiras passava a focar-se essencialmente nas limpezas, deixando o auxílio aos meninos com necessidades educativas especiais às auxiliares de acção educativa». Conclusão, apesar de ser licenciada em Português e História, está colocada numa escola para limpar salas e casas de banho.

Arminda tem um filho, necessita trabalhar, mas como não tem outro tipo de solução, aceitou este cargo. «Em relação ao curso já não existe, porque as saídas foram tantas que apenas 1% das pessoas formadas leccionam e as outras estão noutras actividades. Quanto ao meu diploma, esse está arrumado para não apanhar pó, porque até custou 25 contos. A vida continua e sorrio, porque tenho um filho e um marido maravilhosos».

 

 

"o auxílio aos meninos com necessidades educativas especiais às auxiliares de acção educativa"

Entre muitas outras coisas, decidi retirar esta frase... Quem conhece a realidade escolar, perceberá porque o fiz...

Eu também cheguei a concorrer para auxiliar de acção educativa, mas nunca fui escolhido ( sirvo para professor, mas não sirvo para... auxiliar... ) porque havia sempre o primo, o afilhado, o amigo do padre, o puta reles que os pariu que ficava com o lugar através de cunhas, mesmo que o(a) dito(a) fosse um troglodita, que nem servisse para guardar gado. Acção educativa... Pois...

Este país está transformado numa merda revoltante! Este não é o meu Portugal!

A pessoas como a Arminda só posso desejar força e paciência! Sei que é difícil engolir sapos, mas... A vilanagem que desgoverna e manobra este país e enche os bolsos à custa dos outros, terá de ter um último dia como o dos porcos! 

publicado por sá morais às 20:52
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Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008

Cunhas II


Serviço de Cunhas, Lda
Américo Rodrigues

1. Parece que o Governo está a preparar uma revisão do Código Penal que criminalizará a velha <<cunha>>, a velhíssima <<cunha>>. Assim, quem meter uma <<cunha>>, <<para arranjar emprego na administração pública, ou desta tentar obter encomendas, adjudicações, subsídios e outros benefícios>> incorre numa pena que pode ir até dois anos de prisïo. Fico satisfeito com a preocupação do Governo e espero que a vontade de acabar com o escândalo das <<cunhas>> seja levada até às últimas consequências. Apetecia-me que a criminalização tivesse efeitos retroactivos pois era da maneira que nos víamos livres da maior parte dos políticos guardenses, useiros e vezeiros em meter e aceitar <<cunhas>>. Peço desculpa pelo exagero, mas é que eu tenho uma repulsa quase visceral pelos agentes especializados na <<cunha>>. E todos sabemos como há especialistas locais nessa arte. Claro que agora é mais fácil falar dos que exercem o poder mas convém nïo esquecer também o passado recente. A coisa (leia-se tráfico de influências) é chocante. Há tipos por aí que não fazem mais do que tratar destes assuntos, para colocar X naquele emprego, para o destacar para aqui, para o pôr a dar um curso ali, para o fazer nomear para acolá. Normalmente a acçïo destes especialistas é para favorecer militantes do mesmo partido mas há também na Guarda quem aja por motivaçøes pessoais. Por isso nïo há que admirar a proliferaçïo de padrinhos e madrinhas (alguns, de facto) que assim vão garantindo a fidelidade da sua clientela. Há casos, por todo o distrito, de autarquias e orgïos periféricos do Estado, em que a maioria dos seus funcionários sïo da família ( de sangue ou da política) de quem dirige. Duvida? Eu nïo tenho qualquer dúvida? Conheço casos de padrinhos muito activos que ainda por cima se gabam das suas façanhas. E, às vezes, até meros agentes menores (aparentemente sem poder concreto) servem para meter esta ou aquela cunha ( para comprar um serviço, para adjudicar uma obra). Estou convicto que a <<cunha>> é intolerável num Estado de Direito. Por causa dessas e de outras é que há organismos cheios de incompetentes. Claro que a<<cunha>> é eficaz em termos eleitorais e por isso acho muito difícil que a medida agora anunciada triunfe. Mas que era certeira lá isso era. E também era a forma de metermos na cadeia alguns padrinhos que andam por aí...

 

Terras da Beira 1997

 

PS: Não conheço o autor, mas gostava de lhe dar um abraço. É de gente assim que precisamos!

publicado por sá morais às 20:31
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Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008

Cunhas

Sei que por cá as "cunhas" são praticamente uma tradição, uma "instituição", que todos vão aceitando entre risinhos e o habitual encolher de ombros. No entanto as "cunhas" estão longe de ser algo inocente, bem pelo contrário... Para começar, são um forma de discriminação imoral e são também as "cunhas" uma das principais razões para o lastimável estado em que se encontra o país... E porquê? É muito simples... Sempre que alguém é nomeado para um cargo público por "cunha", isso significa que, provavelmente, a pessoa mais qualificada e/ou competente foi preterida. A pessoa que fica com o lugar através de favorecimento pode até ser um incapaz, um imbecil, mas tinha o padrinho... Essa pessoa é mais uma "pedra na engrenagem", um potencial incompetente. Agora multipliquem essa "pedra na engrenagem" milhares de vezes e terão um pedregulho enorme... Quem é o culpado? Todos nós! Os "padrinhos", os "afilhados" e todos aqueles que, mesmo sabendo estarem a ser lesados, se calam e consentem. Vamos encher os livros de reclamações, protestar, contestar concursos junto das autoridades competentes, denunciar nos meios de comunicação social! Não se conformem, não se calem! Sempre que alguém é nomeado por cunha, neste circo que é Portugal, somos nós os palhaços de quem eles se riem!

 

- Se quiser partilhar alguma injustiça relativa às cunhas, deixe nos comentários.   

publicado por sá morais às 20:01
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